In Diário de Notícias, 21/02/2006
Uma pandemia de gripe das aves pode resultar em prejuízos de até dois mil milhões de euros em Portugal, ou seja, o equivalente a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, de acordo com as estimativas da corretora de seguros Marsh & McLennan.
O efeito económico da propagação do vírus H5N1 poderá ser particularmente sentido em Portugal, uma vez que, "a maioria das empresas portuguesas não desenvolve planos de contingência (...) que possam mitigar os impactos negativos deste tipo de eventos", justifica Pedro Penalva, especialista em gestão de risco, da corretora norte-americana, em declarações escritas ao DN.
O cálculo dos prejuízos foi feito tendo por base os custos da propagação do vírus H5N1 nos Estados Unidos, que já foram estimados entre 60 a 140 mil milhões de euros. Em termos de impacto global, a disseminação da gripe das aves pode resultar em gastos de 670 mil milhões de euros, receia o Banco Mundial.
Os custos da pandemia resultarão não apenas dos gastos associados às vítimas (doentes e mortos), mas também do impacto que terá na economia. "O impacto económico, para ser medido, não se deve circunscrever à mortalidade registada, mas deverá ter especialmente em conta o número de infectados e a disrupção causada na vida das empresas e nos serviços de saúde e assistência", explica Pedro Penalva.
Cada pessoa infectada deverá permanecer de baixa médica até 20 dias, refere um estudo da Marsh publicado em Janeiro, Avian Flu: Preparing for a Pandemic, citando as estimativas do Departamento de Saúde do Reino Unido. Além disso, como admitiu recentemente a Comissão de Acompanhamento da Gripe das Aves Portuguesa, "numa fase mais adiantada podemos ter que vir a encerrar espaços públicos".
Para o especialista da Marsh, "a eventualidade de um número importante de empregados ser afectado em cada organização, bem como a necessidade de serem encerrados espaços, pode levantar enormes problemas ao bom funcionamento das organizações" e, em última análise, conduzir "à suspensão das actividades económicas e sociais". No sentido de minimizar o impacto deste tipo de situações, um estudo da corretora de seguros recomenda que as empresas criem grupos para acompanhar a evolução do contágio e desenvolver planos de contingência. "A capacidade de uma organização identificar os problemas e responder de forma rápida e efectiva fará uma diferença significativa no sucesso ou fracasso da protecção dos trabalhadores, dos lucros e da reputação da empresa e, em última instância, na sua própria sobrevivência", sublinha o estudo da Marsh.
O sector segurador é uma das áreas de actividade que será especialmente afectada pela eventual pandemia da gripe das aves, uma vez que será chamado a indemnizar pessoas e entidades que forem atingidos. No entanto, segundo Pedro Penalva, é muito complicado avaliar o impacto que a propagação do vírus terá nos seguros. "Para estimar valores, seria necessário avaliar um conjunto de diferentes variáveis em termos dos ramos de seguro em cada país, considerar as especificidades e práticas locais, bem como os seguros e as coberturas contratadas." Certo é que, como alerta a Marsh, a reclamação de indemnizações por parte das seguradoras dará origem a disputas legais de resultado incerto.
(Ver artigo original)
_________________________________________
A Marsh é o líder Mundial em Gestão de Riscos e Seguros, com cerca de 30.000 colaboradores e receitas anuais superiores a 5.000 milhões de dólares. Presta serviços de análise, assessoria e realiza transacções para clientes em mais de 100 países. A Marsh é uma das empresas da Holding Marsh & McLennan Companies (MMC), um grupo global de serviços profissionais de aproximadamente 55.000 colaboradores e com receitas anuais que ultrapassam os 12.000 milhões de dólares. Do grupo MMC fazem também parte a Guy Carpenter, Kroll, Putnam Investments e a Mercer Inc.. As suas acções estão cotadas nas Bolsas de Nova York, Chicago, Pacífico e Londres.
O site da MMC na Internet é www.mmc.com e o da Marsh em Portugal é www.marsh.pt.